Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

O que fazer quando nos apercebemos que a morte de alguém que nos é querido está a chegar?


A despedida é uma celebração da vida e do amor. No entanto dizemos adeus àqueles que amamos todos os dias, às crianças que vão para a escola, a um amigo que vai de férias, entre muitas outras ocasiões em que dizemos adeus. Quando abraçamos e dizemos adeus, estamos a fazer uma despedida, não para sempre mas por um dia ou um tempo breve. Contudo, se soubéssemos que essa era a última vez, como nos sentiríamos melhor se tivéssemos abraçado apertadamente e dito que gostávamos muita dessa pessoa.
À medida que a morte de alguém que nos é querido se aproxima, não é necessário entrarmos em pânico. Em vez disso, devemos aproveitar para celebrar a vida e dar as mãos àqueles que amamos. Podemos aproveitar o tempo que resta para juntar alguns momentos de magia ao nosso livro de recordações e, quando o crepúsculo cai e a lua se levanta e o (a) nosso (a) ente querido (a) que amamos nos deixa, é reconfortante sabermos que o abraçamos e lhe dissemos adeus.
O luto não é um inimigo mas um amigo. É um processo natural caminhar através da dor e crescermos à medida que vamos caminhando. É preciso dizermos a nós próprios e aos nossos amigos que nos deixem fazer o luto, dado que este é importante para nós. Pois o caminho do luto é bastante longo. É como estarmos num túnel longo e um pouco escuro. É preciso um grande esforço e dor para conseguirmos caminhar nesse mesmo túnel. Caminhada esta, que não poderá ser feita depressa e para muitos, parece demorar muito tempo. Se a pessoa que está em luto tiver a ajuda de alguém amigo em quem confie, com quem possa partilhar memórias e de quem receba carinho, isto poderá ser como as velas que se vão acendendo na escuridão do túnel e que vão iluminando o caminho e dando conforto.
É necessário que a pessoa enlutada não se deixe influenciar pela opinião dos outros. É necessário que viva com as suas memórias, fazendo o seu próprio luto.

Segunda-feira, 9 de Abril de 2012

Como devemos lidar com crianças que estão em fase terminal

As pessoas que lidam e tratam crianças com doenças terminais devem ter sempre em consideração que estas sabem o que lhes está a acontecer. Por isso, o melhor a fazer é deixar que sejam elas a ditar as regras, ou seja, se querem falar, ouvi-las, se querem estar sós, devemos as deixar, se querem chorar ou rir deixamos que o façam. Devemos tentar ser verdadeiros. As crianças doentes têm um “radar” que lhes diz quando os outros estão a ocultar a verdade. Devemos tentar escutar. Devemos tentar compreender. Lidar com a morte a aceitá-la como parte da vida é mais fácil para as crianças do que para os adultos. Isto talvez se deva ao facto de na sua inocência as crianças aceitam a aprendizagem da morte tal como aceitam qualquer outra coisa que lhes seja ensina. Confiando, sem experiencia da vida a criança não percebe o que perde com a morte e por isso a maior parte das vezes estará melhor preparada para lidar com o tempo que lhe resta do que olhar para o tempo que nunca terá.
Elizabeth Kubler-Ross menciona num dos seus estudos sobre o luto que nos dormitórios de crianças dos campos de concentração onde ela trabalhou durante a Segunda Guerra Mundial as paredes estavam cobertas com desenhos de borboletas. A autora acredita que essas crianças nos queriam deixar uma mensagem de esperança.
Talvez possamos aprender com a mensagem deixada por estas crianças.

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

O que nunca deve ser dito a um pai ou a uma mãe que perderam o filho(a)

De entre muitas outras que o simples bom senso e caridade ensinam a não dizer, salienta-se algumas coisas que foram ditas a pais que acompanhamos na associação e que perderam os seus filhos e que magoaram os mesmos profundamente: 
  • A uma mãe grávida que tem uma outra filha a morrer com leucemia: “Está à espera de outra criança? Não tem medo que esta também tenha leucemia? Porque é que não abortou? Se isso me tivesse acontecido a mim eu não suportaria.”
  • O seu filho tem um cancro! A senhora fuma? Ou bebe? Como é que alimenta o seu filho?
  • Não vais passar a vida a falar do filho que perdeste. Não há só isso de importante na vida.  
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  • Deus deve amá-la muito para lhe dar o sofrimento pelo qual está a passar.
  • A uma mãe que perde um segundo filho à nascença foi dito o seguinte: “Se calhar não foi feita para ter filhos.”
  • Deus levou a sua filha para que não tive problemas com ela quando ela fosse maior.
  • Ocupa-te dos vivos. Deixa os mortos em paz. Vira a página.
  • Um bancário pergunta a uma mãe cujo seu filho único de 4 anos faleceu atropelado: “Em quanto é que avalia a vida do seu filho?”
  •  Não tens o direito de dizer isso. Há pessoas que passaram por coisas bem piores. Conheces a senhora Z que já perdeu os 3 filhos que tinha? E ela leva a vida.
É necessário que nos perguntemos porque é que nós tornámos por vezes, tão insensíveis, tão indiferentes, tão pouco dispostos a dar um pouco do nosso tempo a ajudar aqueles que têm necessidade de partilhar os seus problemas. Em vez disso são-lhes dadas drogas que adormecem a consciência e acalmam as reações afetivas e impedem as pessoas de viver, dado que se estas vivessem em plenitude poderiam ultrapassar a experiencia dolorosa e conhecer de novo a vida em toda a sua beleza, com todas as suas múltiplas solicitações, com os seus desgostos tanto como as suas alegrias. Atualmente dão-se sedativos em quantidades não desejáveis, para que as pessoas que passaram ou estão a passar por um processo de luto pela perda de um(a) filho(a), de forma a estes não sofrerem tanto, em vez de lhes darmos atenção humana e a possibilidade de exteriorizarem as suas emoções. Deixando as mesmas num estado que não é considerado morte, nem vida. Porquê?

Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

“A perda de uma pessoa pela qual alimentamos um amor profundo constitui uma das experiências mais dolorosas, senão mesmo a mais dolorosa, sentida pelo ser humano” – José Eduardo Rebelo


O turbilhão de emoções que sentimos quando nos encontramos em luto, sobretudo na fase inicial, faz com que muitas vezes fiquemos fechados para o diálogo, dada a penosa e dolorosa prova que constitui o reavivar de imagens e emoções relacionadas com a perda. Em muitos casos, sentimo-nos tão sós e desamparados que não conseguimos, nem de forma individual, nem com o auxílio da família ou amigos, falar abertamente sobre o que pensamos e sentimos.
É no sentido de dar resposta a esta preocupação que surge a APELO – Associação do Apoio à Pessoa em Luto, uma associação sem fins lucrativos que visa ajudar pessoas e famílias que sofreram perdas emocionais profundas, nomeadamente por morte, danos ao amor-próprio, perdas de expectativas, entre outras.
O CAPELO-Porto - Centro de Apoio à Pessoa em Luto no Porto, sob a Coordenação de Lúcia Ferreira (Psicóloga Clínica e Enfermeira) surgiu como forma de dar resposta a uma necessidade deste apoio diferenciado aos habitantes da região metropolitana do Porto.

Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

Seminário "A Morte que Invoca a Vida"

Boa tarde!

É com satisfação que comunico o convite endereçado ao Prof. José Eduardo Rebelo, pela organização do Seminário "A Morte que Invoca a Vida", do Centro Hospitalar Covas da Beira, E.P.E., na Covilhã, a realizar-se no próximo dia 16 de Abril. Na impossibilidade da sua presença, é com muito orgulho que o represento, e assim, represento a APELO na mesa redonda subordinada ao tema "Que sentido dar à dor? - O luto.". Espero dignificar o nome da APELO, transmitindo os nossos valores e a nossa missão perante as pessoas enlutadas e a comunidade em geral, divulgando ainda o trabalho que desenvolvemos a nivel institucional, como é o caso dos institutos e universidades.

Lúcia Ferreira.

Panfleto Workshop "Perdas diferentes, luto(s) desiguais"

Workshop

Olá a todos!

Vai realizar-se nos próximos dias 24 de Abril e 15 de Maio, em parceria com o departamento de formação da Associação Pegadas de Amor, o 2º Workshop intitulado "Perdas diferentes, luto(s) desiguais". Os interessados em participar deverão inscrever-se enviando os seus dados pessoais para o e-mail: pegadasdeamor.formacao@gmail.com ou então para porto@apelo.pt.
Pagamento (30 euros) através de vale de correio à ordem de Associação Pegadas de Amor, Estrada Nacional 209, nº2451, 4580 Lordelo Paredes.
Para mais informações sobre a inscrição, consulte:
http://formacao-apa.blogspot.com/2010/03/inscreve-te.html